30 de maio de 2025
Meu nome é Sophia.
Nasci no dia 25 de fevereiro de 2005. Alguns meses atrás, completei 20 anos.
Não me sinto com 20 anos.
Quando criança, imaginamos que chegaremos aos 20 já sabendo de tudo, e com tudo mais resolvido. Seremos adultos, afinal, com vidas encaminhadas. Pensamos que os planos que fizemos aos 8 estariam se realizando, e que as grandes experiências a se viver já teriam sido vividas.
Hoje, com 20 anos, posso dizer com convicção que não é bem assim.
Outro dia, fui às compras com minha mãe. Ela me mostrava roupas que achava que eu iria gostar. Para a minha surpresa — e acredito que também para a dela, que sempre conheceu bem o meu gosto —, quase nenhuma fez sentido para mim. Com um olhar levemente magoado, ela disse que não sabia mais qual era o meu estilo.
Respondi com um sorriso que estava tudo bem; eu também não sabia.
Tenho descoberto, dia após dia, algo novo. Sobre mim, sobre o mundo. É bonito. É estranho. Às vezes, assustador. Tudo ao mesmo tempo. Mas, acima de tudo, tem sido verdadeiro — e eu tenho gostado desse processo.
Foi na fotografia que encontrei uma forma de capturar essas descobertas. Capturar o que vivo, as pequenas aventuras dos meus dias e as pessoas que as vivem ao meu lado. Quando volto para casa após um dia com a câmera nas mãos e revejo meus registros, consigo enxergar, em cada uma delas, um fragmento do meu crescimento — da minha história.
Mas também percebi que, apesar de meus retratos amados muito dizerem, ainda há algo’s’ que não couberam ali.
Algumas memórias são feitas de palavras, pensamentos e sensações que escapam da lente. Que se escondem nas entrelinhas, que não se revelam a um olhar apressado ou desconhecido.
Por isso, decidi escrever.
Quero registrar não apenas o que se vê, mas o que se sente. O que ficou de fora.
Quero poder olhar para cada registro e me lembrar eternamente o porquê são especiais para mim.
Quero, um dia, compartilhar essas histórias com os meus filhos, e talvez ajudá-los a entender que mudar — e se perder um pouco no caminho — faz parte.
Uno, assim, duas paixões que muito me movem, a fotografia e a escrita, em um espaço de encontro comigo mesma. Um diário aberto, onde cada texto e cada imagem me ajuda a entender melhor quem sou — e a registrar, com carinho e atenção, cada nova descoberta no caminho.
E nasce, assim, o [entre]linhas e retratos, o espaço mais especial que já cultivei.
![[entre]linhas e retratos](https://entrelinhaseretratos.com/wp-content/uploads/2025/05/cropped-tulipa-alala.jpg)

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