[entre]linhas e retratos

o que não coube nas fotos

Categoria: Textos

  • Em Heidelberg, sobre titio, florestas e Joshua Bassett

    Em Heidelberg, sobre titio, florestas e Joshua Bassett

    14 de janeiro de 2025


    Sempre tive uma conexão muito forte com meu tio Juninho. Não sei bem o porquê.

    Uma vez, quando pequena, meus pais acertaram com meus tios que eu passaria uma semana na casa de cada um deles durante as férias. Eu devia ter algo como 4 ou 5 anos. Na primeira semana, eu ficaria na casa de meu tio Juninho; na segunda, na casa de tio Cris e tia Nete.

    Lembro perfeitamente daquela semana. De dia, enquanto meu tio trabalhava, minha tia Gisa brincava comigo de chá, com um jogo de xícaras de porcelana belíssimo que eles haviam ganhado como presente de casamento. Também jogávamos o memorável jogo da fábrica de bolos no computador. Eu amava aquele tempo com ela.

    Era pelas noites, no entanto, que eu aguardava mais ansiosamente. Quando tio Juninho chegava, ele me prendia à cadeirinha de segurança do carro, e brincávamos de foguete. Ele simulava a decolagem, com todas as turbulências, e depois me erguia, presa à cadeira, correndo por toda a casa, como se estivéssemos voando. E então, nós fazíamos competições de quebra-cabeça, para ver quem montava mais rápido. Ele, claro, sempre me deixou ganhar.

    Quando a primeira semana acabou e era hora de ir à casa de tio Cris e tia Nete, chorei até vomitar.

    Passei mais uma semana com tio Juninho.

    Lembro de ficar arrasada quando soube, alguns anos depois, que ele, tia Gisa e meu priminho Pedrinho iriam se mudar para São Paulo. De 2011 a 2020, devido à distância, não devemos ter nos visto mais de 15 vezes. Ainda assim, ele nunca deixou de estar presente. Todo domingo à noite, eu tinha a mesma certeza que se tem do céu azul: a de que o telefone tocaria, e seria ele.

    Uma das melhores coisas de quando nos mudamos para o Rio foi a nova proximidade com ele. Agora, podíamos nos ver com maior frequência — afinal, estávamos há apenas 6 horas de carro. Até mesmo voltamos a comemorar os natais e ano-novos juntos.

    Isso durou três anos. E então eles se mudaram novamente. Agora, para a Alemanha.

    Claro que fiquei imensamente feliz por meu tio e sua família. Eles trabalharam duro para aquilo e estavam sendo recompensados. 

    Mas também chorei.

    Chorei por não saber quando veria meu tio novamente. Chorei porque agora, além da distância — que passava a ser não mais estadual, mas continental —, havia também o fuso horário. Sabia que as ligações semanais seriam dificultadas e, como consequência, nosso contato também.

    Não é difícil entender, então, o sorriso de orelha a orelha que eu carregava no rosto naquele dia, sentada ao lado do meu tio, no carro que nos levava rumo a Heidelberg — uma cidadezinha encantadora perto de Frankfurt.

    Havia 3 opções para conexão do meu voo do Brasil para a República Tcheca: Lisboa, Paris ou Frankfurt. Conversei com meu pai e concordamos, então, que eu poderia viajar 10 dias antes da data de início do intercâmbio, e aproveitar um tempo com meu tio na Alemanha. 

    Ele recebeu a notícia com uma empolgação ainda maior que a minha — o que eu nem sequer imaginava ser possível. Disse que tiraria férias para poder me receber com total dedicação. Passamos semanas reservando ao menos 15 minutos de cada ligação de domingo só para planejar tudo que queríamos fazer juntos. Que cidades visitaríamos, que trilhas faríamos e que coisas compraríamos. Até mesmo um romance ele planejou para mim, com um “doce de menino” da igreja — e que, infelizmente, quando cheguei lá, já estava namorando.

    Minha playlist com todas as músicas de Joshua Bassett servia de trilha sonora para o nosso passeio. Meu tio havia me pedido que enviasse algumas playlists que eu gostava, e acabou colocando essa naquele dia. Ele já gostou logo na primeira música — common sense, na ordem de lançamento — e me começou a perguntar sobre o cantor. Contei tudo: como o conheci, quais são as minhas músicas favoritas, a briga com Olivia e Sabrina. Meu tio ria e se chocava a cada nova informação sobre aquele drama. E assim foram os nossos primeiros, talvez 30 minutos, de trajeto. 

    Nos entretemos com um jogo de perguntas e respostas depois. Perguntei sobre como eram meus pais na juventude, ao que meu tio respondeu com muita emoção — como à maioria das coisas que conversamos naquele dia. Me contou que meus pais eram intensamente apaixonados; e que, quando jovem, ele os olhava e sonhava viver um amor que o fizesse tão feliz quanto aquele que via entre eles. Disse que, enquanto meu pai estava na missão, fazia questão de buscar e levar minha mãe em casa todos os dias quando tinham seminário, como uma forma de agradecer a meu pai pelo irmão que era; e também de agradecer a minha mãe por fazer meu pai tão feliz.

    Ele me perguntou, então, qual havia sido o dia mais feliz da minha vida. Argumentei que aquela pergunta não era, exatamente, justa; se eu o perguntasse o mesmo, ele teria respostas lindas como “quando me casei com sua tia” ou “quando seus primos nasceram”, enquanto eu, com meus breves 19 anos, não possuía nenhuma grande experiência transformadora. Ele disse que tudo bem, que eu podia responder com honestidade.

    Respondi, então, que foi o dia em que fui aprovada na UFRJ.

    Ele, inclusive, foi a primeira pessoa que liguei para contar.

    Depois, eu quis saber sobre tia Gisa. Ele contou, com lágrimas nos olhos, toda a história de como haviam se conhecido; e sobre o quanto a amava e admirava a sua coragem, disposição e força.

    Era sua vez de novo. Ele me perguntou qual era o desejo mais estranho que eu tinha para realizar até o fim da vida. Respondi que era me tornar vegana um dia. E ele respondeu, com animação, que também tinha esse mesmo desejo; entretanto, não é uma ideia que tia Gisa gosta, e ele não se imaginava fazendo isso sem ela. Mas decidimos que a convenceríamos e, um dia, faríamos isso juntos.

    Chegamos, enfim, à Heidelberg. Era uma cidade pequena, mas parecia grande nos detalhes. O primeiro lugar que visitamos foi um antigo castelo, que oferecia uma vista da cidade de tirar o fôlego. A cidade era inteira de tirar o fôlego, na verdade. Era cortada ao meio por um longo rio, com casarões coloridos de ambos os lados, como se estivessem se olhando. Ao fundo, as montanhas cobertas de um verde seco lembravam que, apesar do sol, era inverno —  e, ainda assim, transmitiam uma beleza calma e silenciosa, à sua própria maneira.

    Encontramos alguns brasileiros, tiramos fotos, rimos, e depois descemos para almoçar. Fomos a um restaurante italiano charmoso, quase pitoresco, cheio de senhorzinhos e senhorinhas que pareciam amigos de longas décadas, se encontrando para um almoço “no lugar de sempre”. A comida era deliciosa. Descobri que os alemães têm talento para cozinha italiana.

    Depois do almoço, andamos sem pressa. Entramos em lojinhas, compramos presentes para minha família e aproveitamos para conhecer mais da cidade.

    No meio de conversas sobre tudo e nada, decidimos que um dia compraríamos uma casa de férias ali. Mas tinha que ser em um daqueles casarões mais bonitos, lá no alto da cidade. Combinamos que nos encontraríamos lá toda primavera — eu, mamá e meus pais, ele, tia Gisa e os meninos.

    Fizemos essa promessa com a leveza de quem acredita.

    No fim da tarde, voltamos para o carro. O sol já estava — belamente — se pondo, junto com a nossa aventura, e a paisagem, passando depressa pela janela, parecia uma pintura; composta pelas árvores das florestas alemãs e a lua cheia, que já despontava no céu.

    Conversamos mais um pouco. Sobre a vida no Rio e os meus amigos, meus planos futuros. Sobre minhas expectativas para o intercâmbio. Sobre Pedrinho e Davi, e como têm sido sua adaptação com a nova vida.

    Sobre meus avós.

    Dessa vez, me emocionei junto com meu tio.

    Quando chegamos de volta à casa, já em frente à porta, ele me abraçou. Disse que eu nem imaginava o quanto ele estava feliz por eu estar ali. Repetiu — pela milésima vez em nossas vidas — a história que, apesar de eu já saber cada detalhe, jamais me cansaria de ouvir: que, quando voltou de missão, a primeira coisa que fez foi me segurar no colo pela primeira vez.

    E, antes de entrarmos, ele me disse que, toda vez que ouvisse Joshua Bassett, se lembraria das nossas conversas e aventuras pelas estradas e florestas da Alemanha.

    Posso garantir, tio, que eu também vou lembrar.

  • Em Karlovy Vary, sobre anjos

    Em Karlovy Vary, sobre anjos

    10 de março de 2025


    Em minha última segunda feira na República Tcheca, aproveitamos o p-day para um desvio da familiar Namesti Republiky. Eu, Sister Evans, Sister Yost, Élder Liddicott e Élder Walker fomos para Karlovy-Vary, uma pequena cidade a pouco menos de 2 horas de distância de Plzeň, conhecida pelas suas fontes termais e canecas divertidas.

    Combinamos que iríamos às 09:00. Me encontrei com as meninas no ponto alguns poucos minutos antes, mas não havia nem sinal dos meninos. Tentamos ligar, sem sucesso. Quando o ônibus chegou — com uma pontualidade surpreendente — e estávamos prestes a embarcar, já sem esperança de que eles chegariam a tempo, os vimos virar a esquina correndo, vermelhos e sem ar. Nos contaram depois que haviam se perdido. Passamos os primeiros 10 minutos do trajeto rindo, ainda sem acreditar que eles haviam conseguido, e animados pelo dia que nos esperava.

    No instante em que coloquei os pés em Karlovy Vary, me apaixonei. O dia estava ensolarado, com uma temperatura deliciosamente agradável — nem fria o suficiente para que eu precisássemos usar casaco, mas nem quente o suficiente para nos fazer suar. E a cidade… a cidade era linda. Colorida, verdejante (ainda que no inverno), e com um certo charme bem-humorado. Embora, pensando bem, talvez essa última qualidade deva ser creditada à minha companhia.

    Conheci os missionários — meus amigos — no meu primeiro domingo em Plzeň, dois meses antes. Eu não tinha a menor pretensão de ir à Igreja naquele dia — e nem em nenhum outro, para ser completamente honesta. Quero dizer: eu não conhecia ninguém ali, e não entendia nem uma única palavra de tcheco. De que serviria me reunir para congregar se eu nem sequer poderia me comunicar com as pessoas ao meu redor?

    Ainda assim, naquela manhã, acordei com um sentimento muito forte. O Espírito me dizia para ir, e não hesitei. Pensei que poderia, ao menos, tomar o sacramento; iria embora depois.

    É de se imaginar que não foi o que aconteceu.

    Fui recebida com boas vindas calorosas no mesmo momento em que atravessei a porta do pequeno prédio adaptado em capela. Sister Konushin — à época dupla de Sister Evans, e que viria a se tornar uma grande amiga — me cumprimentou com um abraço carinhoso. Nos apresentamos, e logo Sister Evans se aproximou e se apresentou também. Quando a reunião começou, sentei ao seu lado. Ela traduziu tudo para mim e para um visitante romeno ao mesmo tempo, com um esforço e paciência admirável.

    Durante o intervalo, foi a vez de Élder Liddicott se apresentar. Conversamos um pouco e, quando a segunda hora começou, sentamos novamente, ele atrás de mim. Havia perdido Sister Evans, minha gentil tradutora, de vista e, já prestes a me levantar para ir embora, senti um cutucão em meu ombro. Ele perguntou se eu entendia tcheco — ao que respondi com um veemente “não” — e se ofereceu para traduzir a aula para mim.

    Ao fim de tudo, Élder Walker também veio me cumprimentar. Mais tímido, mas tão gentil quanto os outros. Reencontrei Sister Konushin e, depois de alguns minutos de conversa animada, ela me convidou para almoçar com eles no dia seguinte. Aquele almoço se tornaria não apenas o primeiro de muitos p-days juntos; mas também o começo de muitos jantares na casa dos Hamons, kebabs, noites de jogos de sábado na capela, lições, passeios turísticos e, claro, manhãs de domingo — às quais não faltei uma única vez durante todo o meu intercâmbio.

    Havia, portanto, algo especial naquele dia em Karlovy Vary. Talvez fosse o sol, talvez a companhia. 

    Começamos a caminhar pela cidade sem um rumo definido. Admirávamos seus prédios — todos com aquele charme europeu tão característico — enquanto falávamos sobre quais elementos gostaríamos de incorporar em nossas futuras casas. Entramos em algumas lojinhas de souvenir, empenhados na missão de encontrar o cartão postal perfeito para a minha coleção. Observávamos a vida tranquila daquele lugar, conversando sobre tudo, rindo muito.

    Paramos para almoçar em um restaurante vietnamita; eu, um pouco contrariada. Nos acomodamos e falamos sobre a minha pesquisa, sobre as nossas casas, nossas famílias, e sobre os choques culturais que cada um enfrentou ao chegar ali. Quando o almoço chegou, estava simplesmente divino.

    Passei a gostar de comida vietnamita.

    Seguimos a nossa pequena aventura em direção ao bondinho da cidade. No caminho, paramos para beber da água de uma das fontes termais — que horror! —, pegamos figurinhas, entramos numa loja de patinhos de borracha temáticos e compramos waffles. Conversamos sobre tudo. Rimos, e rimos. 

    Ao embarcar no bondinho, logo percebemos estar no lugar errado.

    Deveríamos estar sobrevoando a floresta da cidade. Mas, naquele momento, estávamos subindo por um túnel estreito, escuro e completamente fechado. Descobrimos, enfim, que aquele era algo como um funicular, e desempenhava o mero papel de levar as pessoas a um ponto mais alto da cidade — que, para ser justa, nos rendeu uma bela vista. Mas de modo algum isso nos desanimou. Rimos ainda mais.

    Como precisávamos pegar o ônibus de volta para Plzeň em breve e o bondinho “certo” era distante, optamos por apenas caminhar um pouco mais. Terminamos o dia com sorvete e trdelníks, e então seguimos para a estação.

    O trajeto de volta foi silencioso. Alguns cochilaram, outros fizeram seus estudos pessoais, outros escreveram e-mails para sua família e amigos.

    Eu, no entanto, apenas olhava. Olhava para os meus amigos, sentados do outro lado do corredor, e para a linda paisagem do interior tcheco passando depressa pela janela atrás deles. E sentia saudade.

    Saudade porque sabia que, no próximo p-day, já não estaria com eles. Estaria de volta ao Rio, à minha casa. Aquela experiência tão única e especial estaria, muito em breve, chegando ao fim. E, no final daquela semana, eu teria que me despedir dos meus queridos amigos.

    Mas, mais do que isso, senti gratidão.

    Uma vez, quando Pedro e Iago estavam na missão e eu me sentia sozinha, Pedro me disse que eu estaria sempre protegida pelos melhores anjos que eles poderiam me enviar por meio de suas orações. Mais tarde, entendi que os anjos eram eles mesmos. Eles que, como missionários, não somente espalhavam o amor e a luz do evangelho de Deus em suas áreas, mas também em cada e-mail que me enviavam, em cada oração que me mencionavam.

    Eu soube reconhecer, portanto, quando o Senhor colocou novos anjos em minha vida; e me senti imensamente grata por isso. 

    Aqueles cinco missionários, no interior da República Tcheca, foram anjos que não somente me acolheram: eles me ensinaram, me testificaram, e me deram a chance de fazer o mesmo, fortalecendo o meu próprio testemunho no processo. 

    Esses anjos, com o amor e a luz que carregavam e irradiavam, me ajudaram a me aproximar do meu Salvador. 

    Hoje, entendo plenamente quando um converso sobe ao púlpito e agradece pelo trabalho missionário. 

    Para ser completamente honesta, aquele dia em Karlovy Vary foi, à sua maneira, uma experiência turística completamente comum. 

    E, no entanto, foi um dos dias mais cheios de sentido que já vivi.

    Sua beleza esteve nos detalhes: nos risos leves, no carinho partilhado, na certeza silenciosa de que eu estava sendo cuidada — não só por amigos, mas por anjos enviados por um Pai Celeste que me ama e me ouve.

    Foi um daqueles dias que passam quase despercebidos quando vividos, mas que, ao serem revisitados, se revelam imensos.

    Um daqueles dias que se tornam eternos.

  • [Entre]linhas e retratos

    [Entre]linhas e retratos

    30 de maio de 2025


    Meu nome é Sophia. 

    Nasci no dia 25 de fevereiro de 2005. Alguns meses atrás, completei 20 anos.

    Não me sinto com 20 anos.

    Quando criança, imaginamos que chegaremos aos 20 já sabendo de tudo, e com tudo mais resolvido. Seremos adultos, afinal, com vidas encaminhadas. Pensamos que os planos que fizemos aos 8 estariam se realizando, e que as grandes experiências a se viver já teriam sido vividas.

    Hoje, com 20 anos, posso dizer com convicção que não é bem assim.

    Outro dia, fui às compras com minha mãe. Ela me mostrava roupas que achava que eu iria gostar. Para a minha surpresa — e acredito que também para a dela, que sempre conheceu bem o meu gosto —, quase nenhuma fez sentido para mim. Com um olhar levemente magoado, ela disse que não sabia mais qual era o meu estilo.

    Respondi com um sorriso que estava tudo bem; eu também não sabia.

    Tenho descoberto, dia após dia, algo novo. Sobre mim, sobre o mundo. É bonito. É estranho. Às vezes, assustador. Tudo ao mesmo tempo. Mas, acima de tudo, tem sido verdadeiro — e eu tenho gostado desse processo.

    Foi na fotografia que encontrei uma forma de capturar essas descobertas. Capturar o que vivo, as pequenas aventuras dos meus dias e as pessoas que as vivem ao meu lado. Quando volto para casa após um dia com a câmera nas mãos e revejo meus registros, consigo enxergar, em cada uma delas, um fragmento do meu crescimento — da minha história.

    Mas também percebi que, apesar de meus retratos amados muito dizerem, ainda há algo’s’ que não couberam ali.

    Algumas memórias são feitas de palavras, pensamentos e sensações que escapam da lente. Que se escondem nas entrelinhas, que não se revelam a um olhar apressado ou desconhecido.

    Por isso, decidi escrever.

    Quero registrar não apenas o que se vê, mas o que se sente. O que ficou de fora.

    Quero poder olhar para cada registro e me lembrar eternamente o porquê são especiais para mim. 

    Quero, um dia, compartilhar essas histórias com os meus filhos, e talvez ajudá-los a entender que mudar — e se perder um pouco no caminho — faz parte.

    Uno, assim, duas paixões que muito me movem, a fotografia e a escrita, em um espaço de encontro comigo mesma. Um diário aberto, onde cada texto e cada imagem me ajuda a entender melhor quem sou — e a registrar, com carinho e atenção, cada nova descoberta no caminho.

    E nasce, assim, o [entre]linhas e retratos, o espaço mais especial que já cultivei.